Dossiê Gabi 2008

120 - Lembranças da Vovó

 

Gabi estava com a franja grande de forma que, por muitas vezes, sentia-se mal com os cabelos penetrando nos seus olhos. Como sua avó já havia cortado sua franja um outro dia, quando ela era bem mais novinha, nós dizíamos para ela que a levaríamos para a casa de sua avó para que sua franja fosse aparada. Ela se acostumou com a idéia e, quando recebia ligação de dona Lourdes já comentava que queria cortar a franja que estava grande.

 

Chegou o dia. Era um domingo e Helen trabalharia. Para o bem de Gabi, e, de certa foram, o meu, ela foi passar o dia com a avó. Daí surgiu a oportunidade do corte da franja. Só que a sua avó foi além da franja, e cortou também o seu cabelo, deixando-o pelo menos dez centímetros mais curto.

 

O resultado do corte, para aborrecimento da avó, não agradou nem a gregos e nem a troianos. Cada um que desse a sua opinião sobre o assunto. Gabi, a mais interessada no assunto, só reclamava pelo fato dos cabelos não prenderem completamente quando da feitura de um rabo-de-cavalo. Mas, como tudo na vida, este episódio passou.

 

Passou, mas voltou. Voltou com ela, claro: Gabi. Mais de um mês depois do corte do seu cabelo ela estava no sofá conversando com uma das suas bonecas favoritas. No computador, e de costas para ela, eu escutava a conversa. A conversa era engraçadíssima, e eu tentava me fazer de morto para ela não perceber o quanto eu ria. Mas não consegui me segurar quando ela foi ao baú de suas memórias e disse para a sua bebê:
— Se vovó quiser cortar o seu cabelo, deixe não, viu bebezinha?

 

 

 

Tarciso Oliveira
09/08/2008

 
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