Dossiê Gabi 2008

144 - Quase Vexame

 

De vez em quando, eu e Helen, acompanhados de Gabi, evidentemente, saímos para um barzinho em busca de degustar os crustáceos decápodes mais queridos da região: o caranguejo-uçá, mais conhecido simplesmente por caranguejo. Gabi ainda não gosta de comer caranguejo, mas adora ficar cutucando cada um deles com um garfo na tentativa de localizar cada uma de suas partes como uma verdadeira pesquisadora da anatomia caranguejeira.

 

Fomos, então, para um barzinho. Pedimos alguns caranguejos e ficamos degustando alguns casquinhos de caranguejo enquanto os ditos-cujos não ficavam prontos. Para acompanhar, uma cerveja para mim, um refrigerante para Helen e Gabi. Ficamos lá na mesa fazendo hora e esperando o prato principal.

 

As TVs, nas laterais do bar, transmitiam naquele momento um jogo do Campeonato Brasileiro entre um time pernambucano e outro do sul, o que fazia com que o lugar se tornasse lotado e ruidoso.

 

Em dado momento uma mosca sobrevoou a boca da garrafa da minha cerveja, deu uma cheirada legal e pousou na mesa. Gabi, que já vinha observando desde o início o procedimento de aterrissagem, gritou:
— Sai, barata! Sai!

 

Olhamos para ela preocupados. Será que ela não sabia a diferença entre uma mosca e uma barata? Não fosse o ruído do ambiente, que transmitia o tal jogo, teria sido um vexame memorável.

 

 

 

Tarciso Oliveira
28/09/2008
 
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