173 - Nada é de Graça
Ela estava muito mal-humorada naquela segunda-feira. Como quisesse um pouco de carinho, briguei com ela, não aceitei chegar em casa, depois de um dia de trabalho, e não receber pelo menos um beijinho da minha princesa. Resmunguei de um lado para o outro, fazendo cena, num desempenho digno de um Troféu Framboesa.
Depois de algum tempo, ela se comoveu. Veio se chegando aos poucos até que chegou de vez, subiu na cama onde eu estava e me olhou com casa de tudo-bem-eu-te-desculpo. Daí, fui tentar dar uns conselhos para ela. Disse-lhe que o papai fazia tudo por ela e ela ainda era assim, malcriada, algo inadmissível. Ela deveria refletir sobre o assunto e blá-blá-blá...
Enquanto eu falava, ela não me encarava, apenas olhava para o lado em direção à estante do quarto. Eu acreditava que ela estava envergonhada pela situação, e aquilo seria uma forma de aceitar o seu erro e me dizer nas entrelinhas que tal atitude não se repetiria. De repente ela me interrompeu e disse:
Meus olhos encheram-se de lágrimas. Estava tão emocionado com a sua declaração tão extensa, e nunca vista antes, que tentei dá-lhe um abraço daqueles apertados e quiçá fatais. Mas ela, interrompendo-me mais uma vez, virou-se para a estante e perguntou:
Tarciso Oliveira |