Dossiê Gabi 2008

184 - O Segurança

 

Era dia de Natal. E como as comemorações se desenrolam na véspera, o dia fica mesmo para curtir a família, assistir a um filmezinho água-com-açúcar natalino e passar o dia na preguiça.

 

Mas com Gabi a coisa não funciona assim não. Ela pediu uma coisa aqui e outra ali que não encontramos nem no armário e nem na geladeira. E já foi mostrando a solução:
— Vamos pro Carrefour...
Disse-lhe que naquele dia os supermercados estavam fechados. Ela me olhou com um olhar de incredulidade, e como da janela da cozinha do nosso apartamento dá para se ver o estacionamento superior do Carrefour, eu fiz o convite:
— Você quer que papai mostre que não tem ninguém no Carrefour?
— Quero! — animou-se ela — A gente vai descer agora?

 

Deixei escapar um sorriso amarelo pela falsa expectativa de um passeio sentida por ela, e disse-lhe que da janela da cozinha dava para ver o estacionamento, assim ela iria ver que não havia nenhum carro por lá. Peguei-a nos braços e a levei até a janela:
— Está vendo? Não tem nenhum carro, não tem ninguém. Ninguém trabalha hoje lá.
— Ela deu uma olhada, esticou um pouco o pescoço para o lado e perguntou:
— Papai, e aquela moto ali?
Na no final do estacionamento, numa área quase imperceptível, havia alguém circulando bem devagar numa daquelas pequenas motos. Coloquei-a no chão enquanto perguntava a mim mesmo como ela foi ver logo aquela área lá. Mas me saí muito bem:
— É a moto do homem que toma conta do Carrefour, é do segurança.
Ela aceitou. Depois daquele dia quando vou com ela ao Carrefour e ela vê alguém que lembre um segurança já vai perguntando:
— Onde tá a moto dele?



 

Tarciso Oliveira
25/12/2008

 
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