012 - Homem Aranha
A televisão anunciara durante todo o dia que o filme da noite seria Homem Aranha. Não lembro ao certo qual deles, mas, o que importa mesmo, e o que marcou naquele dia foi o fato de Gabi querer assistir a um filme totalmente diferente dos padrões de filmes que ela estava acostumada a assistir. Não usarei nem a palavra “talvez” neste caso porque o correto seria a expressão “com certeza”. Isso mesmo! Com certeza havia ali a influência dos amiguinhos da escola.
O filme começou. Pensando bem agora, acho que era o segundo da trilogia. Pelo menos era uma trilogia até eu estar escrevendo este texto. Pensei que ela dormiria bem antes do início do filme, mas ela permaneceu ali, atenta, esperando, não queria ser uma leiga no papo do dia seguinte na escola. Intimamente a admirei por isso, via meus genes agindo ali, e com o egoísmo que só Richard Dawkins explicaria com tamanha eficiência.
Éramos então só nós três: eu, Gabi e o Homem Aranha. Todos na sala, de certa forma. Ela, totalmente empolgada com as peripécias do super-herói mascarado, eu, meio assim. Para quebrar o clima, fiz um comentário:
— Ele é um herói, não é, Bibi? Ele é forte, ele pula alto, ele voa...
Ao que ela me interrompeu:
— Ele não voa não! Quem voa é Super-homem, ele pula com as cordinhas...
E depois complementou, para que eu entendesse melhor:
— Ele também anda pelas paredes, feito lagartixa...
E eu, inocentemente, pensando que fosse feito aranha...
Tarciso Oliveira
19/01/2009