Dossiê Gabi 2009

032 - Ângulos

Como acontece em muitos domingos, estávamos filando a bóia na casa da minha sogra. Na verdade, raramente eu almoço por lá nesses dias, costumo mais tomar uma bebida e beliscar um tira-gosto. Naquele dia eu estava tomando as minhas cervejinhas favoritas enquanto Gabi, Helen e dona Lourdes estavam na piscina curtindo o auge do sol do verão  pernambucano.

 

O tempo foi passando, se arrastando, qual Roberto Carlos aos pés da amada na canção Desabafo. Como ninguém aparecia, e aproveitando o momento de solidão deflagrado pela ausência das mulheres da minha vida, resolvi assisti ao jogo de futebol que estava passando naquele dia. Verifiquei a quantidade de latinhas na geladeira, o tira-gosto e as panelas da minha sogra querida. Tudo estava perfeito.

 

Mas, como já prediz uma das mais famosas Leis de Murphy: “Se alguma coisa pode dar errado, dará.” Conclui que a tal lei é verdadeira. Todos chegaram repentinamente, e o futebol deu lugar à apresentadora Eliana, com “dedinhos” e tudo! Voltei à varanda.

 

De vez em quando eu me levantava e ia até o banheiro para fazer um xixi. A porta do banheiro do apartamento da minha sobra é sanfonada. Numa das vezes que fui, Gabi me seguiu. Quando fechei a porta ela reclamou, e bateu com veemência do outro lado. Eu não liguei, ela insistiu com o batuque, mas parou. De repente, percebi que ela estava forçando a porta ao máximo. Quando já me preparava para sair, ela disse:
— Eu estou vendo o teu braço, se o banheiro fosse assim — imagino que ela quis dizer se o vaso fosse na transversal — eu via a tua pitoca...

 

 


Tarciso Oliveira
15/02/2009

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